Eu fui conhecer o Ground Zero Museum Workshop

O Ground Zero Museum Workshop é um museu dedicado ao 11 de setembro de 2001 e vale muito a pena. Um passeio diferente de tudo!

Eu fui conhecer o Ground Zero Museum Workshop

Um museu pessoal sobre o 11 de setembro de 2001

  • O Ground Zero Museum Workshop também é dedicado aos atentados de 11 de setembro de 2001, mas não tem absolutamente nada a ver com o museu nacional do 11 de setembro. Fora o tema, dá até para dizer que os dois são o oposto um do outro. O National September 11 Museum é um enorme museu público, construído no próprio terreno do World Trade Center, enquanto o Ground Zero Museum Workshop é um museu privado bem pequeno, no Meatpacking District. Tão pequeno que eu passei direto pela entrada, sem perceber!
  • Para entrar, você precisa reservar seu ingresso com antecedência, porque a visita é guiada. Dá para reservar direto nesta página dedicada ao Ground Zero Museum Workshop. O ponto de encontro, no horário marcado, é o número 420 da West 14th Street, entre a 9th Avenue e a Washington Street. Para achar a entrada, procure uma plaquinha na calçada, bem em frente a uma porta com interfone. Se você for o primeiro a chegar, toque o interfone; se não, é só esperar.

Como é a visita ao Ground Zero Museum Workshop?

  • Alguns minutos antes do horário da visita, um jovem guia desce para receber o grupo na calçada e explica rapidamente a proposta do museu. O Ground Zero Museum Workshop foi fundado por Gary Marlon Suson, fotógrafo escolhido em 2001 como fotógrafo oficial dos bombeiros. Com esse papel, ele foi o único autorizado a fotografar os trabalhos de remoção dos escombros, além dos fotógrafos forenses da polícia de Nova York, cujas imagens nunca foram divulgadas.
  • Depois de uma breve introdução, o guia leva o pequeno grupo ao 2º andar do prédio. E aí vem a grande surpresa: o museu é uma única sala pequena. Eu não esperava isso de jeito nenhum! As paredes estão cobertas de fotos de Gary Marlon Suson e de uma infinidade de objetos.
  • No centro, ficam um sofá branco grande e alguns bancos. O guia continua contando como o museu surgiu e mostra entrevistas de Gary Marlon Suson na televisão. Nelas, o fotógrafo explica o que os bombeiros esperavam dele nessa missão de documentação tão especial e como ele viveu essa experiência até maio de 2002.
Ground Zero Museum Workshop
O museu já deixou os lenços de papel à mão… (Foto Didier Forray)

Uma coleção de objetos sobre o 11 de setembro de 2001

  • Uma música triste e persistente toma conta da sala. Olho para os visitantes e vejo que todos estão de semblante sério. O guia também percebeu o clima pesado que caiu de repente sobre o grupo. Na mesma hora, ele nos olha com um sorriso largo e, de forma surpreendente, diz: “Não fiquem tristes, a ideia é simplesmente lembrar o que aconteceu!” Uma frase simples que alivia bastante o ambiente.
  • Em seguida, ele apresenta algumas fotos e alguns objetos expostos na sala. Para começar, para diante de cruzes feitas com restos de vigas do World Trade Center. Há um momento de emoção quando o guia convida cada pessoa a segurar esses pedaços de metal. “Vocês estão segurando um pedaço da História”, comenta ele, com sobriedade. Outro objeto impressionante: os amontoados de cacos de vidro que revestiam a fachada das duas torres. “Ao contrário do que muita gente imagina, quase não se encontrou vidro no local de Ground Zero, porque tudo se pulverizou nos desabamentos”, continua o guia. “No total, se juntássemos todos os cacos recolhidos durante as buscas, mal encheríamos o porta-malas de um carro.”
  • O guia segue apresentando umas latas de cerveja estranhas, dos anos 1970. “Elas são da época da construção do World Trade Center, e foram os operários que as esconderam entre as vigas”, conta ele.
  • Por fim, chega a peça mais importante: entre os objetos, há um pequeno pedaço de um dos aviões que se chocaram contra o World Trade Center. “Só peço uma coisa”, diz o guia, “não fotografem esta peça”. Todo mundo respeita o pedido.
Ground Zero Museum Workshop
Um pedaço de vidro do World Trade Center. (Foto Didier Forray)

Uma exposição para visitar no seu ritmo

  • Depois dessa apresentação dos principais objetos, o guia convida cada pessoa a explorar a exposição no seu próprio ritmo. Aproveite sem pressa: você pode ficar o tempo que quiser! Com um audioguia em mãos, basta digitar o número de cada objeto para ouvir o comentário de Gary Marlon Suson.
  • Se você entende inglês, escolha o audioguia em inglês, porque assim você ouve a voz do próprio fotógrafo. Ele conta o contexto de cada imagem ou a história de cada objeto. Os relatos são fascinantes, cheios de detalhes e curiosidades. O Ground Zero Museum Workshop mostra o 11 de setembro de 2001 de um jeito completamente diferente, com foco nas operações de busca, e não apenas na cronologia dos fatos.
  • Uma dica: dê uma passada também no banheiro. À esquerda da pia, você vai ver o diploma de chefe de batalhão honorário dos bombeiros de Nova York, concedido a Gary Marlon Suson. Perguntei ao guia por que esse diploma de honra fica num lugar desses, limpíssimo, mas pouco comum para exibir uma homenagem dessas. “Foi um pedido do próprio Gary”, respondeu o guia, sorrindo. “Ele quer que o coração do museu seja dedicado aos acontecimentos e pediu que a figura dele ficasse no pior lugar possível, ou seja, no banheiro.” Uma bela lição de humildade!
Ground Zero Museum Workshop
Um calendário encontrado entre os escombros. (Foto Didier Forray)

O Ground Zero Museum Workshop em vídeo

Para ter uma ideia do lugar e do clima, confira também o museu neste vídeo que eu gravei:

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